Os cliques da ilusão

os cliques da ilusãoOs temas relacionados ao comportamento humano sempre foram minha grande paixão. Para compreender a atual onda do “clique da felicidade” que, se ainda não invadiu, fatalmente entrará pela sua porta, passei a ser frequentadora assídua das redes sociais.

Então, comecei a observar as declarações de amores eternos, as bem-aventuradas viagens, as famílias sorridentes, as amizades duradouras e os prazeres profissionais.

Talvez, neste momento, leitor, você esteja se ajeitando na cadeira, até mesmo curioso com a minha colocação, mas a minha ideia é justamente essa, pois mudamos o formato, porém, a atitude de olhar para a vida do outro como sendo melhor do que a nossa sempre foi um comportamento humano. Antigamente, dizíamos, no famoso ditado popular, que “a grama do vizinho era mais verde”, hoje, que a “página do amigo é mais interessante”. Não importa a época em que estamos, temos a tendência de supervalorizar a vida do outro e pararmos de admirar a nossa.

Os famosos cliques com os quais diariamente somos bombardeados nos levam a uma ilusão de vida de relacionamentos perfeitos, de dinheiro em abundância, de famílias sem problemas, de trabalho em harmonia e de felicidade constante. Assim, se não vivencio o que os outros milhões de “cliqueiros” vivem, não sou feliz.

Mas o prazer da vida está em reconhecermos a felicidade nas pequenas coisas do nosso dia a dia, porém, somente é possível se compreendermos que a vida não é feita só de momentos positivos, se posso chamar assim, mas são justamente os momentos de dificuldades, crises e tristezas que nos fazem crescer e reconhecer o lado bom da vida.

Em um gesto de altruísmo, neste mundo de ilusões, gosto de dizer que situações difíceis, crises, tristezas, brigas e desentendimentos por quais passei, e passo, ao longo da minha vida são responsáveis pelas rugas que criei, pelas histórias que tenho para contar, pela personalidade que construí e pela pessoa que sou. Não poderia deixar de admirar a verdade que imprimi à minha vida e que me faz ser capaz de valorizar os meus momentos felizes.

Entretanto, viver sem as redes sociais é quase utopia, mas poder olhar por trás da cortina é garantir sobrevivência e não nos deixar levar aos cliques da ilusão.

Então, saber reconhecer que, atrás de uma grande declaração de amor, existem cicatrizes que escolhemos fechar; atrás de um mundo de viagem e ostentação, existem meses suados de trabalho para pagar as contas; atrás de famílias sorridentes, existem brigas que nos fortalecem ao longo do tempo, nos faz lembrar que somos todos humanos na busca para sermos felizes.

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